Quando Adrián Mateos venceu o $250k Super High Roller das WSOP 2026, tornou-se no jogador mais jovem de sempre a conquistar seis braceletes das WSOP, com apenas 31 anos.
O prémio de $4,33 milhões foi o segundo maior da carreira do espanhol. O maior? Chegou menos de um mês antes, nas Triton Montenegro, onde encaixou $6,37 milhões ao vencer o $200K Invitational. Ou seja, Mateos acumulou uns impressionantes $10,7 milhões em apenas 28 dias.
Com Mateos a subir do 9º para o 5º lugar na All-Time Money List do poker só nos últimos seis meses, e depois de bater uma das mesas finais mais fortes de sempre das WSOP, com Phil Ivey, Bryn Kenney, Jason Koon e companhia, nasceu uma discussão na redação da PokerNews: estamos a ver o melhor jogador de torneios de poker da atualidade?
Estes são os principais candidatos do debate (e sim, inevitavelmente, alguns grandes nomes ficaram de fora). Concordas? Discordas? Decide por ti mesmo.
Adrián Mateos: o jogador mais em forma do planeta
“Com todo o respeito pelos meus colegas, se não consideras Mateos o melhor jogador de torneios do mundo neste momento, estás simplesmente errado", comentou o nosso editor Eliot Thomas.
Adrián Mateos conquistou a primeira bracelete das WSOP aos 19 anos, e logo no Main Event das WSOPE. Foi também o jogador mais rápido a chegar às três braceletes e, mais tarde, às seis, tornando-se no mais jovem de sempre a atingir esta última marca, aos 31 anos.
É ainda o mais jovem jogador no top 20 da All-Time Money List e o mais rápido da história a alcançar os $50 milhões em prémios ao vivo no The Hendon Mob. E, ainda assim, isto continua a ser um debate.
Sim, todos esses resultados chegaram em No-Limit Hold'em, mas que melhor indicador existe para identificar o melhor jogador de torneios do mundo do que vencer regularmente os maiores torneios, com os maiores prize pools e os buy-ins mais caros?
Adrian Mateos continua a vencer contra os fields mais difíceis do mundo. Em 2024, foi o jogador que mais prémios acumulou em torneios ao vivo, com mais de $13 milhões, e depois de encaixar mais de $10 milhões em apenas 28 dias, tudo indica que voltará a estar no topo dessa lista em 2026.
Estou com Eliot: para mim, Mateos é o melhor jogador de torneios de poker do mundo neste momento.
O craque espanhol, amigo e companheiro de equipa do português João Vieira na Winamax, tem um registo de 6-0 em heads-up por braceletes das WSOP, com vitórias frente a jogadores de elite como Kenney, Ben Heath e Alex Kulev. Já provou o seu valor no poker online e ao vivo, e dominou todos os grandes circuitos em que competiu, desde as seis braceletes das WSOP, um EPT Main Event e um EPT Super High Roller, além de três títulos nas Triton Poker Series.
Considerando os números, a única coisa que separa o embaixador da Winamax da liderança da All-Time Money List é o tempo. E, aos 31 anos, ainda tem muito pela frente.
Para Will Shillibier, editor-chefe da PokerNews global, “outro candidato ao título de melhor jogador de torneios da atualidade é Bryn Kenney, runner-up no evento em que Mateos acabou de encaixar $4,3 milhões e atual líder da All-Time Money List”.
Durante algum tempo, Kenney travou uma luta renhida com Justin Bonomo (atual #6) pela liderança do ranking de prémios ao vivo, mas nos últimos anos isolou-se no topo e tem agora uma vantagem confortável sobre Stephen Chidwick, que entretanto assumiu o segundo lugar.
Kenney lidera a All-Time Money List com mais de $88 milhões em prémios, e Stephen Chidwick está a cerca de $10 milhões de distância. Para o alcançar, o britânico precisaria de somar vários prémios de sete dígitos.
Kenney é um jogador controverso, tendo sido acusado de batota no poker online por alguns jogadores em 2022. Mas ninguém pode negar o seu talento nos torneios mais caros do mundo, razão pela qual merece claramente fazer parte da conversa sobre os melhores jogadores de poker da atualidade.
“Será Isaac Haxton a mente mais brilhante da história do poker? Não tens de acreditar apenas na minha palavra, porque foram essas as palavras de Justin Bonomo”, escreveu Connor Richards, editor sénior da PokerNews para o mercado norte-americano. “Acho que Haxton pode muito bem ser o melhor jogador de torneios da atualidade”, acrescentou.
“Ele é literalmente a mente mais brilhante da história do poker”, escreveu Bonomo no X, numa recente campanha para colocar Haxton no Poker Hall of Fame. “Não é Doyle. Não é Stuey. Não é Chip. Não é Ivey. É Ike.”
Haxton é considerado por muitos uma das mentes mais brilhantes do poker. Com mais de $65 milhões em prémios ao vivo e uma bracelete das WSOP, apesar de jogar poucos eventos na série, o norte-americano tem argumentos mais do que suficientes para estar na conversa sobre o melhor jogador de torneios da atualidade.
Bonomo defende esta ideia há muito tempo. Em 2023, disse à PokerNews que considera Haxton “um dos melhores jogadores do mundo e, possivelmente, a mente mais brilhante do poker”.
Nick Schulman: o rei dos mixed games
Para Calum Grant, editor sénior e responsável por eventos ao vivo da PokerNews, é difícil não colocar Nick Schulman no topo da discussão sobre o melhor jogador de torneios do mundo neste momento. "Schulman parece não ter pontos fracos e o próprio até já disse estar apenas a entrar no auge. Neste momento, poucos combinam versatilidade, consistência e resultados de topo como ele", disse Grant.
Oito braceletes das WSOP já seriam suficientes para destacar qualquer carreira, mas cinco delas foram conquistadas desde 2023. Nesse período, Schulman venceu pelo menos uma bracelete em cada ano e entrou no Poker Hall of Fame em 2025.
O mais notável é a variedade. Venceu em Seven Card Stud, No-Limit Hold'em, 2-7 Single Draw e H.O.R.S.E., em eventos com buy-ins desde $1.500 até $25.000.
A versatilidade e a consistência são os argumentos mais fortes a favor de Schulman. O craque norte-americano soma $26,5 milhões em prémios live e 8 braceletes WSOP, cinco delas conquistadas nos últimos quatro anos.
O desempenho de Schulman nestas WSOP ajuda a reforçar essa ideia. Já fez quatro mesas finais, incluindo um segundo lugar no $1.500 Limit Badugi e título para bracelete no $1.500 H.O.R.S.E.. As outras mesas finais foram no $10K Dealer's Choice Championship e no $10K Big O Championship, terminando em quinto em ambas. Atualmente, Nick Schulman ocupa o segundo lugar na corrida ao título de WSOP POY, apenas atrás de Alex Foxen.
Já para Matthew Pitt, editor sénior da PokerNews global, qualquer discussão sobre o melhor jogador de poker do mundo tem de incluir Stephen Chidwick. “Embora os jogadores mencionados neste artigo sejam fenomenais, Chidwick é o mais completo de todos e, na minha opinião, por uma margem considerável”, afirmou o nosso colega.
Pitt considera Adrián Mateos o melhor jogador de No-Limit Hold'em do planeta, mas acredita que Chidwick está ao nível dos melhores em praticamente todas as variantes de poker e fá-lo nas stakes mais altas. “Acho que nunca o vi cometer um erro nas mesas”, acrescentou.
As duas braceletes das WSOP não contam toda a história de Stephen Chidwick. O britânico soma quase $79 milhões em prémios ao vivo e chegou a 35 mesas finais das WSOP, com resultados de topo numa variedade de jogos que poucos conseguem igualar.
As duas braceletes de Chidwick foram conquistadas em eventos de Pot-Limit Omaha com buy-ins de $25.000 e $50.000. Além disso, já acumulou 35 mesas finais das WSOP em No-Limit Hold'em, Short Deck, Seven Card Stud, No-Limit Deuce-to-Seven, 8-Game, Omaha Hi-Lo, H.O.R.S.E. e até no há muito esquecido Pot-Limit Hold'em.
O respeito dos seus pares é outro indicador do seu nível. Chidwick é regularmente escolhido pelos colegas como o “Adversário Mais Difícil” nos Global Poker Awards, um reconhecimento que diz muito sobre a forma como é visto por quem o enfrenta nas mesas.
Se chegaste até aqui, é provável que já estejas a pensar em algum nome que merecia estar nesta lista. E tens razão: numa discussão destas, é impossível incluir todos os grandes jogadores. Por isso, aqui ficam algumas menções honrosas que também merecem destaque.
Shaun Deeb
Shaun Deeb continua a ser um dos grinders mais perigosos da sua geração nas WSOP. Não é uma presença habitual nos circuitos high roller como alguns dos nomes desta lista, mas a combinação de resistência, paixão pelo jogo e habilidade em várias variantes faz dele um dos jogadores mais fortes na luta pelas braceletes todos os verões.
Alex Foxen
A consistência de Alex Foxen nos torneios mais duros do mundo é extraordinária. Seja em eventos com fields gigantes ou em high rollers de elite, é presença regular nas mesas finais e construiu uma reputação como um dos jogadores de torneios mais consistentes do poker moderno. Os resultados dos últimos anos falam por si.
Jesse Lonis
Jesse Lonis passou de grinder de grande volume a presença consolidada nos high stakes num espaço de tempo notavelmente curto. A ascensão do norte-americano ficou marcada por um número impressionante de deep runs nos principais festivais e, hoje, aparece com frequência nas retas finais dos maiores torneios.
Jason Koon
Jason Koon continua a ser um dos jogadores de high rollers mais respeitados do mundo, com uma vontade de evoluir que poucos conseguem igualar. É sobretudo nos fields mais duros da Triton que tem mostrado consistentemente a sua classe, com um recorde de 12 títulos no circuito, mais cinco do que qualquer outro jogador, no palco de excelência do poker de elite.
Kristen Foxen
Desde a sua deep run no Main Event das WSOP 2024, Kristen Foxen tem protagonizado uma das sequências mais consistentes nos torneios mais caros do poker. Quatro prémios de sete dígitos, várias deep runs no circuito Triton e mais de 20 mesas finais em menos de dois anos colocaram-na claramente entre a elite do poker. Com seis braceletes das WSOP, está atualmente a registar resultados ao nível dos melhores jogadores do mundo.