Onde Estão Agora: Campeão do 2006 Aussie Millions Lee Nelson

Lee Nelson

Em 2005, um jogador desconhecido, Joe Hachem, ganhou o Main Event das World Poker Series e alterou para sempre o rumo do poker no seu país, Austrália. Apesar do ano 2003 testemunhar a brilhante corrida de Chris Moneymaker durante o boom de poker nos Estados Unidos, foi em 2005 que o continente mais a sul atingiu o seu pico máximo. Em nenhum lado foi esta febre mais evidente que no Crown Casino em Melbourne durante o Aussie Millions Poker Championship, em 2006.

Esse ano viu um acréscimo de participantes em todos os eventos, incluindo o Main Event, que passou de 263 jogadores no ano anterior para 418. Em 2006, o Aussie Millions também atraiu muitos jogadores de topo, incluindo Daniel Negreanu, Barry Greenstein, John Juanda, David Williams e Antonio Esfandiari. Apesar de nenhum destes nomes ter chegado à mesa final, quatro jogadores Norte-Americanos fizeram-no: Kenna James (9º lugar), Jeff Sealey (5º lugar), Shannon Shorr (4º lugar) e Robert Neary (2º lugar).

Infelizmente para estes profissionais, o dia pertenceu a Lee Nelson, que conquistou o primeiro lugar, levando para casa AUD$1.295.800, o maior prémio entregue num torneio de poker fora dos Estados Unidos até àquela data.

Nelson volta ao Aussie Millions todos os anos e participará na celebração do 10th Anniversary Tournament of Champions. A PokerNews conseguiu falar com Nelson a partir da Nova Zelândia para tentar descobrir o que tem feito desde a sua grande vitória.

Estás ansioso pelo especial 10th Anniversary Tournament of Champions onde vais competir para ganhares buy-ins vitalícios para o Aussie Millions Mais Event?

Eu disse à organização no Crown que eles deveriam contribuir para a minha vitória pois assim poupariam muito dinheiro [risos]. A sério, estou muito ansioso por este torneio porque deverá ser um óptimo evento e é basicamente uma mesa de Sit'N'Go por uma entrada vitalícia no Aussie Millions.

Voltaste ao Aussie Millions todos os anos desde a tua vitória em 2006?

Sim, voltei.

O que torna o Aussie Millions tão apelativo para ti?

Primeiro, corre-me bem por lá. Acho que fiz mais mesas finais no Aussie Millions do que qualquer um em qualquer torneio. Acho que feitas contas foram 14 mesas finais. Não foram todos Main Events no Aussie Millions. Tenho tido muito bons torneios todos os anos, adoro o ambiente, adoro o Crown , e adoro a organização da sala de poker do Crown. O Aussie Millions é um dos melhores torneios do mundo. Os dealers são muito confiantes, a
estrutura é excelente, é um evento excelente e acontece no meu quintal, quase como se fosse meu território.

Isso porque és da Nova Zelândia, certo?

Certo. Cerca de 3 horas de avião. Eu agora tenho um retiro* aqui perto. É um retiro de bem-estar junto à àgua em Nelson, Nova Zelândia. Foi denominado de Nelson antes de eu me mudar para cá. Foi só uma coincidência.

* O retiro do Nelson, Slip Apple, fica a apenas alguns minutos de distância do Park Nacional South Island’s Abel Tasman. Podes saber mais sobre o Split Apple visitando o site.

Para além do Retiro que tens gerido, que mais tens feito desde a tua grande vitória?

Sinceramente, a minha vitória em 2006 deu-me o capital necessário para o Retiro de Bem- estar. Eu precisava muito mais do que isso, mas foi o factor decisivo para a abertura daquele espaço. O Retiro é mesmo uma coisa excepcional. É reconhecido pela revista Tatler’s Spa Guide, como um dos top 500 spas do mundo... temos imensas celebridades e ficam cá. É mesmo um espaço de alta qualidade.

O meu passado antes do poker era medicina nutricional, por isso consegui utilizar todo o meu conhecimento aqui no Retiro. É muito gratificante para mim e nunca teria o conseguido sem ter ganho o Aussie Millions. Foi mesmo um evento significativo.

Como jogaste no Aussie Millions em 2006? Através de buy-in ou de satélite?

Através de buy-in. No ano anterior, em 2005, ganhei o Party Poker World Open e ganhei o St. Maarten’s Event em Dezembro 2004. Ganhei alguns grandes eventos antes do Aussie Millions Main Event. Penso que mesmo antes do Main Event eu tinha uns quantos cashes e mesas finais nesse ano, por isso não joguei satélites apenas paguei a entrada.

Que papel tem o Poker na tua vida hoje em dia?

O poker sempre foi um hobby importante para mim. Tem sido um hobby a minha vida inteira, desde a minha infância até à universidade. E tem permanecido um hobby. Este ano joguei em três torneios incluindo o Vitoria Championship Main Event, no qual fui afortunado o suficiente para vencer, e depois joguei em Macau e num outro evento, portanto três eventos desde o Aussie Millions 2011. Estou 95% ocupado devido ao Retiro mas os outros 5% eu procuro o poker como hobby.

Para além das tuas conquistas nas mesas, também és autor e o-escreveste alguns livros de poker. Como é a sensação de escrever um livro de poker?

O primeiro livro que eu co-escrevi foi com a Blair Rodman, chamado Kill Phil, e foi apenas uma
observação que eu e a Blair fizemos sobre como usar o all-in com máxima eficácia no timming certo, que basicamente nivela a nossa desvantagem contra os bons jogadores, quando não temos mesmo hipótese de os bater a jogar conservador. Isto é o Kill Phil.

Depois do Kill Phil, reuni-me com o Tysen Streib, que utiliza bastantes modelos matemáticos no poker, e também com o Kim Lee , que actualmente é professor de matemática. Os três escrevemos Kill Everyone, que é um livro bastante detalhado sobre os torneios de poker. É um nível bastante diferente que o Kill Phil, que é um livro introdutório. Kill Everyone foi idealizado para jogadores intermédios e avançados. Inclui bastante matemática como por exemplo, como jogar o bubble nos torneios, as odds dos torneios versus as odds dos pots, coisas do género.

Depois, Betrand “ElkY” Grospellier read Kill Everyone e gostou, e quis fazer a edição francesa do livro e comentá-lo. A edição alterada também contém os comentários do ElkY... Ele nem sempre concordou com tudo. Ele concordou com a maioria mas quando não concordava ele explicava o porquê. Eu penso que os comentários dele acrescentaram muito valor ao livro.

A partir daí, o ElkY e eu juntamo-nos e fizemos um novo livro. The Raiser’s Edge, que é basicamente um livro que nos falas das tendências actuais nos torneios de poker, que inclui o estilo super-agressivo, como aplicar esses principios e como jogar contra eles.

Vai levar a tua camisa da sorte Havaiana para o Aussie Million este ano?

Sempre. É a única coisa que eu uso nas mesas finais.

Podes contar a história dessa camisa?

A história dessa camisa aconteceu quando eu estava em St. Maarten em Dezembro 2004. Basicamente, a minha roupa lavada tinha acabo e não tinha tempo de levar uma camisa para lavar e tê-la de volta a tempo do torneio. Por isso fui à loja do hotel e tudo o que eles tinham eram camisas havaianas. Elas eram muito berrrantes, coisa que noutra altura nunca teria comprado, mas eu precisava de uma camisa e era o que havia. Comprei a camisa. Vesti-a até à mesa final do torneio St. Maarten’s e ganhei-o. Depois de o ter ganho, e quando estava a
jogar o Party Poker World Open, pensei em vesti-la apenas por diversão. Ela é tão chamativa e berrante que, com sorte, iria distrair os outros jogadores. Joguei esse torneio e voltei a ganhar.

Quando cheguei à mesa final do Aussie Millions não havia outra camisa que eu poderia usar à excepção daquela. Venci cada jogador do Aussie Millions 2006 a vesti-la. Depois desses três eventos, pensei: vou usá-la a partir de agora, vai ser a camisa que vou usar nas mesas finais. Mas primeiro tenho de chegar às mesas finais.

E o Tournament of Champions? É basicamente uma mesa final.

Ora isso é qué é uma boa ideia! Tens razão, é uma final table. Acho que a deveria usar. Agora que falas, vou usá-la no Tournament of Champions. Vou dedicá-la a ti.

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