João Simão é o grande campeão do $50K PLO e conquista 4ª bracelete WSOP
João Simão voltou a colocar o Brasil em festa nas WSOP 2026. O líder da All-Time Money List brasileira venceu o Evento #55: $50.000 High Roller Pot-Limit Omaha, após bater Santhosh Suvarna no heads-up, e conquistou a 4ª bracelete WSOP da carreira.
A vitória rendeu ao craque brasileiro $1.368.700, depois de superar um field de 110 entradas nas mesas do Horseshoe e Paris Las Vegas. A celebração foi, como seria de esperar, barulhenta, com o rail verde e amarelo a festejar mais um grande título para o país, poucos dias depois de Yuri Martins conquistar a bracelete #6 no $100.000 High Roller.
João Simão é tetra nas WSOP
A 4ª bracelete teve um significado especial para João Simão. Em 1994, o Brasil venceu o seu quarto Campeonato do Mundo de futebol, batendo a Itália nos penáltis na final, e o termo "tetra" passou a fazer parte do imaginário desportivo do país.
"Quando o Brasil ganhou o Mundial pela quarta vez, costumávamos gritar 'tetra, tetra'. Significa o quarto título. É muito especial para os brasileiros, por isso significa muito para mim."
"Esta é muito especial, ainda por cima por ser Dia do Pai (nos EUA). Quando o Brasil ganhou o Mundial pela quarta vez, costumávamos gritar 'tetra, tetra'. Significa o quarto título. No Brasil, é tradição gritar ‘tetra’ sempre que se conquista algo pela quarta vez. Um quarto título, uma quarta vez em qualquer coisa. É muito especial para os brasileiros, por isso significa muito para mim", disse Simão.
O profissional brasileiro atravessa uma fase impressionante nos high rollers. Só no último ano, acumulou 15 prémios de seis dígitos e quase $10 milhões em ganhos ao vivo. Com esta vitória, ultrapassa os $20 milhões em prémios live na carreira.
A 3ª bracelete tinha chegado em dezembro, nas WSOP Paradise, quando venceu o $150.000 Triton No-Limit Hold'em para o maior prémio da carreira, $3.067.000. Ainda nesse mês, Simão venceu também o $100.000 Super High Roller Bowl, para mais $1.100.000.
"É uma boa forma de aprender, de te desafiares e de ganhar dinheiro", explicou sobre jogar estes torneios. "Os ROIs são, claro, muito mais baixos. O jogo é muito difícil, mas se fizeres 10% num torneio de $100K, ganhas $10K. Se fizeres 50% num torneio de $10K, são $5.000. É o dobro do lucro. É isso que me motiva."
Resultados da mesa final do Evento #55: $50K High Roller PLO
| Lugar | Jogador | País | Prémio |
|---|---|---|---|
| 1 | João Simão | Brasil | $1.368.700 |
| 2 | Santhosh Suvarna | Índia | $912.420 |
| 3 | Robert Cowen | Reino Unido | $628.510 |
| 4 | Venkat Chivukula | Estados Unidos | $445.440 |
| 5 | Carlo van Ravenswoud | Países Baixos | $325.080 |
| 6 | Yuri Martins | Brasil | $244.510 |
| 7 | Naoya Kihara | Japão | $189.720 |
| 8 | Veselin Karakitukov | Bulgária | $152.020 |
João Simão impõe-se numa mesa final recheada de estrelas
Simão começou o dia final com a segunda maior stack, atrás apenas de Robert Cowen. A mesa final juntava alguns grandes especialistas de Pot-Limit Omaha, incluindo Naoya Kihara, que procurava a 3ª bracelete do verão, e Yuri Martins, recém-campeão do $100.000 High Roller.
Kihara caiu no 7º lugar e Yuri Martins despediu-se pouco depois no 6º, antes de os cinco jogadores restantes passarem para a mesa da TV.
Simão eliminou o especialista neerlandês de PLO online Carlo van Ravenswoud no 5º lugar, ao acertar dois pares no river. Entretanto, Suvarna também ganhou tração e eliminou Venkat Chivukula no 4º lugar com dois pares no flop que melhoraram para full house.
Cowen chegou a ter uma vantagem confortável, depois de dobrar contra Simão com ases. Mas a maré virou rapidamente. Suvarna dobrou contra Cowen com set de oitos contra damas, e o brasileiro recuperou a liderança quando fez Cowen foldar um flush ao apostar no river.
Cowen acabou por ficar curto e, apesar de ainda dobrar uma vez, foi eliminado no 3º lugar quando não conseguiu completar um flush draw contra Suvarna, que tinha flopado straight.
O heads-up começou com Suvarna na frente, com 20.800.000 fichas contra 12.200.000 de Simão. Ambos procuravam a 4ª bracelete WSOP, mas o brasileiro rapidamente virou o duelo.
Primeiro, Simão dobrou com ases. Depois, acertou full house e foi pago numa grande aposta no river para abrir uma vantagem importante. Poucas mãos mais tarde, Suvarna pagou o all-in com par de dez, mas Simão tinha novamente ases e acertou top set para fechar o torneio.
Santhosh brilha novamente entre os melhores do jogo
O heads-up colocou frente a frente um dos profissionais mais experientes do circuito e um empresário amador que já soma três braceletes WSOP. Ainda assim, Simão não poupou elogios a Suvarna.
"Adoro o Santhosh. É super simpático e um jogador muito bom. Não é profissional, mas já tem três braceletes, por isso joga tão bem como os profissionais. Foi muito divertido. Os rails brasileiro e indiano juntos foram uma experiência fantástica."
Para Simão, a experiência acumulada ao longo de anos no circuito também foi decisiva. O brasileiro explicou que jogar contra alguns dos melhores nomes do mundo é, em comparação, uma zona de conforto perante desafios muito mais duros que enfrentou na infância.
"Joguei muitos torneios e a forma como a minha família me criou foi muito dura. Isto é a parte mais fácil para mim. Tive muitos desafios na infância e, por isso, estar a jogar cartas é algo confortável."
Mais um grande título e inspiração para o Brasil
Com uma bandeira do Brasil sobre os ombros, Simão celebrou a vitória junto do seu rail e reforçou uma ideia que ganhou ainda mais força neste verão: o poker brasileiro continua a produzir resultados de elite nos maiores palco do poker mundial.
Depois da vitória de Yuri Martins no $100.000 High Roller, Simão espera que os dois títulos inspirem mais jogadores brasileiros a viajar para Las Vegas, especialmente para disputar o Main Event.
"É incrível. Sinto que este ano vi menos brasileiros do que em outros anos. Espero que apareçam para o Main Event. Espero que, inspirados por mim e pelo Yuri, os jogadores que ainda não vieram sintam FOMO e tenhamos muitos brasileiros no Main."
Simão continua a duas braceletes de Yuri Martins, mas não parece obcecado com essa corrida.
"Não acredito que o consiga apanhar. Ele joga todos os jogos e é muito bom, por isso seria quase impossível. Quero apenas pensar no meu percurso e desfrutar dele."



