Entrevista com Daniel Negreanu

Entrevista com Daniel Negreanu 0001

Kevin Stevens juntou-se às estrelas no torneio de caridade no último fim-de-semana para ajudar a Fundação Royal Marsden Cancer Fund. Durante o intervalo encontrou-se com Daniel Negreanu para falar sobre poker. Cá está a nossa entrevista exclusiva.

POKERNEWS: O que significa para ti pessoalmente poderes ajudar uma causa tão nobre como a de hoje com a Fundação Royal Marsden Cancer Fund?

DANIEL NEGREANU: Essa foi uma das razões pelas quais assinei pela PokerStars porque eles fazem tanto por caridade. Sinto que o poker é a evolução de um torneio para caridade de golf. Os torneios para caridade de golf sempre juntaram muito dinheiro mas o poker pode ir muito mais longe, porque nos torneios para caridade de golf, as pessoas precisam de poder jogar! Se não souberes dar uma pancada, o teu dia não vai prestar! Mas o poker é uma coisa fácil de aprender e é uma boa maneira de arranjar dinheiro para boas causas. Por isso sempre que a PokerStars arranjar um dia destes, vou estar envolvido.

PN: Já te juntaste à POKER STARS há cinco meses, sentes que fazer parte de um grupo de jogadores afectou o teu jogo?

DN: Acho que neste momento estou a jogar mesmo bem. Tento não ser um homem que se guie por resultados mas acho que nos últimos três ou quatro torneios em que joguei, joguei o melhor poker da minha vida. Sinto isso agora e estou no topo de forma tanto em ring como em torneios. O último evento aqui em Londres e o EPT em Barcelona joguei excepcionalmente bem e tive azar na maneira como fui para a rua, mas faz parte do jogo e sei que a minha concentração está no lugar correcto. Já ganhei torneios onde a minha concentração não era tão boa, por isso agora sei que sou uma ameaça e que estou a jogar o meu melhor de sempre.

PN: Então estás ansioso pelo evento EPT POKER STARS em Londres para a próxima semana?

DN: Sim estou mesmo à espera de durar muito tempo. Trouxe muita roupa comigo!

PN: Trabalhar com a POKER STARS empurrou-te mais na direcção do circuito de torneios ao vivo e para mais longe dos grandes jogos em Vegas?

DN: Bem, o jogo grande é uma coisa esporádica; não está sempre a decorrer. Por isso aprendi a me desafiar em maneiras diferentes. O que recentemente tenho enfrentado é o desafio de high stakes No Limit Cash Games Online. Tenho ouvido falar tanto de como estes jogadores de poker online são tão bons por isso queria verificar por mim mesmo e descobri que 'Hey, espera um minuto. Estes gajos não são assim tão bons!' Quero dizer, eles são bons! Mas acho que fui enganado e entusiasmei-me um pouco. Por isso tenho-me safado bem nesses jogos e também o novo desafio para mim é o EPT em que a POKER STARS é o patrocinador oficial. Planeio em fazer o tri, ainda ninguém ganhou uma bracelete das WSOP, um título do WPT e um titulo do EPT e quero ser o primeiro.

PN: Agora estás a jogar muito mais online na PokerStars usas algum software, como Poker Office ou Poker Tracker?

DN: Sou virtualmente analfabeto quanto a software de poker! Não consigo jogar dois jogos ao mesmo tempo, não me consigo concentrar, e não consigo jogar! O que eu tento fazer é encontrar o melhor jogo, os melhores jogadores e jogar uma mesa. Dessa maneira concentro-me melhor e tomo notas sobre jogadores, já em relação ao poker tracker ou as estatísticas, não sei usá-las.

PN: Existem alguns nomes na POKER STARS que encontras constantemente?

DN: Bem, obviamente que há um grupos parecido, Há o ABA AKA, SBrugby claro. O gajo que me tem dado mais dificuldades, não financeiramente mas acho difícil jogar contra ele, é o Stinger88. Ele é bastante bom mas no geral acho que o estilo de jogadores é muito robótico e baseado em padrões e acho que fiz algumas mudanças cruciais no meu jogo online que me tornaram menos dependente na minha habilidade em ler as pessoas e mais dependente no padrão de apostas. Jogo completamente diferente ao vivo do que jogo online; nunca achei isto possível, pensei é poker! Qual é a diferença só tens de jogar, mas descobri que existem mãos em que tenho de jogar de uma determinada maneira para ter a informação que preciso. E ao vivo às vezes basta-me olhar para a pessoa, ver como ele aposta e conseguir tirar boas ilações sobre a situação, se ele está confiante ou fraco. Por isso houve ajustes nas apostas que faço que me fez tornar num jogador vencedor online.

PN: Achas que isso pode ajudar o teu jogo ao vivo?

DN: Um pouco sim, porque é estar a jogar o jogo melhor no geral. Faz com que jogar ao vivo seja mais fácil porque agora quando jogo ao vivo tenho aquelas ideias extras em como jogam online e também posso olhar para eles, por isso estão completamente mortos!

PN: Tu és um "blogger" e autor de artigos de poker, achas que ter esta escrita criativa ajuda o teu jogo?

DN: Sim, muitas vezes, e as pessoas conseguem reparar, o meu blog passa umas fases onde só falo de golfe e filmes porque é só isso que estou a fazer. Mas depois quando estou a jogar um torneio ou a jogar muito online, o blog fica muito mais intenso enquanto escrevo e ensino; em geral sinto que estou a aprender só por reafirmar aquilo que já sei. Acho excitante, andei numa fase onde não gostava muito de falar de poker porque não estava muito interessado, mas quando estou, sei que o meu cérebro está a funcionar e as coisas estão continuamente a evoluir. Sempre achei que quando achas que já não tens mais nada a aprender, é quando voltas para trás porque os outros jogadores estão a aprender e se tu não estás, vais ser ultrapassado.

PN: Se pudesses ter sorte numa mão por todo o dinheiro do mundo, contra quem seria e porquê?

DN: Eu diria que o mais engraçado seria contra, obviamente, Phil Hellmuth. Há uma explosão e é divertido ver. Eu rio-me sempre na altura com ele e acho que seria divertido.

PN: Se pudesses mudar alguma coisa no mundo do poker o que seria e porquê?

DN: Existem algumas regras. Neste momento os utensílios do jogador de poker estão a ser limitados pelos directores de torneios que não percebem como o jogo funciona. Falo da regra de poder mostrar uma carta só. Acho que é um benefício para todos se isto for permitido, faz com que a transmissão televisiva seja excitante e faz com que haja mais perícia no jogo. Não existe virtualmente nenhum lado negativo se apostares o teu dinheiro todo no river, porque razão não posso mostrar a minha mão para conseguir ler o adversário?! A quem é que esta regra protege. Se estás a jogar numa competição de elite e não queres olhar então tapa os olhos. É absurdo.

PN: Qual é o teu lugar preferido no mundo para jogar poker?

DN: Gosto muito do Commerce Casino em Los Angeles. Gosto muito da estrutura. É a maior sala de poker do mundo e acho muito confortável.

PN: Se pudesses ter uma habilidade de outro jogador, o que seria e porquê?

DN: Eu diria com 100% de certeza que pedia emprestado a habilidade de John Juanda de se aperceber de fraqueza antes do flop. John é melhor do que qualquer outro jogador a ler fraqueza e a fazer reraise com lixo. Sempre que tento alguém tem Ases!

PN: John Juanda é o melhor jogador preflop do mundo?

DN: Diria que quando se fala em ler fraqueza John Juanda é o que mete mais medo! Ele joga um poker diferente de mim ou Phil Ivey e outros que são mais conservadores preflop. Os instintos de John castigam os roubos das blinds melhor do que os de qualquer outra pessoa.

PN: Houve alguma mão que aches que tenha atrasado a tua carreira?

DN: Sim, claro. Em 2001 no Main Event que Carlos Mortensen acabou por ganhar, eu era o chipleader com 12 ainda em jogo e joguei uma mão onde Carlos fez raise para 30,000 e Henry Nowakowski, um jogador Alemão que era meio louco, fez reraise. Eu estava na big blind com AK. Nesta situação agora faria fold mas senti que Henry estava muito fraco tal como Carlos por isso fiz reraise com o AK. Henry foi all in com um par de seis e perdi o pot quando no flop veio J 10 X e mais nada na turn e no river que me ajudasse, e colocou-me em risco. Se tivesse ganho essa mão teria uma boa oportunidade de ganhar o torneio, e mesmo que não tivesse jogado essa mão teria boas hipóteses. Foi uma mão crucial para mim de muitas formas.

PN: Qual é o teu maior objectivo na tua carreira? É ganhar o Main Event?

DN: Não, o que quero mesmo ganhar é o $50K H.O.R.S.E. Para mim esse é que é o campeonato do mundo de poker. Acho que esse é o torneio que premeia o melhor jogador de poker todos os anos.

O main event, e as pessoas podem não perceber bem o que quero dizer, não é uma forma de poker de elite. O facto de estarem tantos amadores é excelente e não digo que devíamos reduzir o número de entradas mas o estilo de jogo necessário para quando tens 1 profissional para cada 9 amadores é completamente diferente. O teu jogo é muito pior. Não verás jogadas sofisticadas porque não estás numa mesa em que seja preciso. Eu aprecio um estilo de poker mais sofisticado. Estás a pensar em que é que o teu adversário estará a pensar e não estás só à espera que um idiota te dê as fichas de bandeja. Acho que o main event, por ser um torneio tão grande, que é fácil se dar bem no torneio mas acho que a qualidade é muito baixa.

PN: Existe muitos jogadores a arriscarem não é?

DN: Existe uma baixa qualidade de jogo. Se estiverem dois profissionais na mesa no main event, eles não vão jogar poker sofisticado um contra o outro porque existem melhores alturas para jogar.

PN: Qual é a tua variação de poker preferida?

DN: A minha preferida é stud hi/lo. Foi o primeiro jogo que aprendi a jogar bem em casa. Jogávamos stud hi/lo sem nenhum qualifier. Era muito divertido e ajudou-me na parte psicológica do jogo. Tinhas de ler o jogo.

PN: Bem, obrigado pelo teu tempo Daniel e boa sorte para o EPT em Londres.

[I]Nota Ed: Joga contra Daniel Negreanu na POKER STARS

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