Divagando por Monte Carlo na Grande Final do EPT

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Depois de ser convocado na véspera do torneio para fazer a cobertura da Grande Final do EPT, cheguei a Monte Carlo curioso por poder observar in loco que tipo de vida levam as pessoas que por aqui habitam. Se tivesse de descrever numa única palavra, seria "luxúria".

Tudo o que se ouve dizer acerca de Monte Carlo é verdade, desde os grandes carros (Porsche em Monte Carlo = ao Mini em Portugal! Bentleys, Rolls Royces, Hammers, Lamborginis, etc e tal…) que circulam nas estreitas ruas, onde os F1 passam a mais de 250 km/h, como se fossem um batalhão de formigas, até aos extravagantes restaurantes, onde uma refeição pode atingir um par de milhar de euros!

Um hambúrguer no casino onde se está a disputar a Grande Final do European Poker Tour, o Monte Carlo Bay, custa €20, e se quiser tomar uma coca-cola para ajudar a engolir o que fica atravessado na garganta por ter de pagar €20, custa outros €4. O pequeno-almoço, que não está incluído na estadia do hotel custa €31,00; e por aí fora.

As ruas estão povoadas de lojas de marca, onde nem consegui olhar para os preços, que devem ser de certeza proibidos. Mas nem tudo é caro; pude comprar morangos no supermercado por €1,20 ao kilo! Nem acreditei no preço! Mais barato que as maçãs que custam qualquer coisa entre €3,00 e €4,50 ao kilo.

As marinas estão a abarrotar de grandes e luxuosos iates, que mais parecem hotéis flutuantes com mordomos.

Mas nada disto tem a ver com poker. Pois não?!

Na entrada da sala de poker está um Ferrari vermelho estacionado, no qual vi uma jovem a dar uma grande lambidela, como se de um gelado se tratasse. Poker, é melhor voltar ao poker…

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Vi o Lee Jones de joelhos a tirar uma foto a Chris Moneymaker, quando este estava a jogar um heads-up na sala de imprensa, em computadores montados especialmente para esta ocasião.

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Jogadores como Phil Ivey, Phil Hellmuth, Barry Greenstein, Gus Hansen, Patrick Antonius, e muitos outros, foram observados de muito perto pelos espectadores, uma vez que não existiram cordas de protecção no Dia 1 A, dando a oportunidade de todos os amantes de poker de poderem estar de muito perto das grandes estrelas que se mostraram muito acessíveis.

Hoje tivemos a apresentação do documentário "THAT'S POKER. Las vegas: dans la peau des joueurs profissionales des championnats du monde de poker". Realizado pelo Francês Hervé Martin Delpierre, que sairá em breve no mercado, e que retrata a experiência de quatro jogadores de poker nas WSOP de 2006. Três destes jogadores são: Isabelle Mercier, Joe Hachem e Luca Pagano.

Esta estreia do documentário contou com a presença de Joe Hachem em pessoa, o que veio dar um ar quase irreal de poder assistir a esta apresentação ao lado do 3º jogador que mais dinheiro ganhou num único torneio na história do poker. A dada altura, no documentário, e depois de ter sido eliminado das WSOP, Joe Hachem vira-se para a câmara e pergunta: "Can i say Merde on the camera?", o que provocou uma risada geral na sala.

A determinada altura, Isabelle Mercier, afirmou num programa de rádio que as crianças deveriam aprender a jogar poker (torneios, sem ter dinheiro envolvido) como se estivessem a jogar monopólio; afinal no monopólio também compram e vendem propriedades e vão à banca rota.

Outra "saída" de Mercier: "estive seis meses a me preparar para as WSOP e faço uma £@/&%!* no dia mais importante da minha vida.

Outro jogador que aparece no documentário é Marcel Luske, citado como um dos jogadores mais divertidos do tour. Vimo-lo a cantar num palco duma discoteca para algumas dezenas de pessoas com o ar mais descontraído que se possa imaginar. Na entrevista, Luske afirma "Em todos os torneios que tenho participado, noto que as pessoas se respeitam muito. Se você esquecer os cigarros numa mesa enquanto vai à casa de banho, quando voltar os cigarros estão no mesmo sítio; o mesmo se passa com o dinheiro; as pessoas vigiam-se umas às outras. Ninguém quer ficar com o dinheiro de outro jogador esquecido em cima da mesa. Querem ganhá-lo jogando".

Este documentário que tem a duração de cerca de 1h10m, está pura e simplesmente excelente. No final do mesmo, Joe Hachem afirmava que "as pessoas do tour são quase como uma família".

Tivemos hoje a oportunidade de visitar o Grande Casino de Monte Carlo, onde o luxo está presente desde o porteiro até às torneiras das casas de banho. Salas enormes de construção centenária, com pinturas nos tectos. Até tem duas salas gémeas que estão separadas com vidros, mas quando entramos numa delas e olhamos para uma das paredes, parece que são espelhos. Quem construiu deu-se ao luxo de fazer duas salas exactamente iguais, com apenas uma diferença imperceptível a quem nunca lá tenha estado. No tecto, tem a data de construção, e quando olhamos para o lado, não se vê (é aqui que se pode notar que afinal são duas salas gémeas).

Existem várias salas privadas, onde numa única mesa o casino chega a ganhar cerca de €200,000.00 de comissão em apenas uma noite, que se pode prolongar até às 11 da manhã, caso os jogadores assim o desejarem. Até as fichas mais pequenas, de €5,00, são douradas…

O director do casino disse-nos que já ouve um jogador que perdeu €11,000,000.00 e o máximo que conseguiu ganhar foram €5,000,000.00 numa única noite…

Isto é Monte Carlo…

Prontos, já divaguei, agora vou voltar a tirar fotografias e ver os profissionais a fazer bluffs que nem lembra aos peixinhos.

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