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Psicologia do Poker e Desporto Parte II

  • Barry Carter / Daniel CordeiroBarry Carter / Daniel Cordeiro
Psicologia do Poker e Desporto Parte II 0001

No último artigo Barry Carter começou o seu programa com Jared Tendler, especialista em psicologia do desporto, pode lêr a primeira parte aqui

Umas semanas em sessões com Jared Tendler e sou um homem novo, é como se me tivesse curado de todos os meus problemas do dia para a noite. Assim que criei o hábito de falar sobre a minha aversão ao risco, ela parece ter desaparecido. Sempre que me sinto relutante em arriscar ( um risco calculado e rentável, claro) tomo nota, para mais tarde analisar a mão e a minha reacção a ela.Estou neste momento a gostar bastante de analisar e estudar as minhas mãos, pois sinto agora que estou a aprender algo mais sobre poker e a construir algo em vez de tentar desenterrar-me de uma fossa.

Mas tenho também medo que todo este meu novo alento e vontade de crescer o meu jogo não seja mais que um placebo. Talvez esteja a fazer todas estas coisas um pouco forçado por ter consultado um especialista e não por vontade própria. Jared confirmou-me que as minhas preocupações não são de todo descabidas:

A fase que estava agora a atravessar chama-se competência de consciência, que significa que consigo agora cumprir uma função quando conscientemente penso nela. A primeira fase é incompetência inconsciente (algo que não me apercebo que não sei fazer), a segunda é incompetência consciente ( sei que não consigo fazer algo) e agora competência consciente (consigo fazer algo quando me concentro) e finalmente temos competência inconsciente (algo que consigo fazer sem sequer pensar). Vamos comparar com o quão nervosa é costume uma pessoa estar quando se senta atrás do volante pouco depois de acabar de tirar a carta e uns anos mais tarde já conduz de olhos fechados...bem de olhos fechados não mas perceberam a ideia, certo?

Como saberei que atingi a fase final de competência consciente? "Bem, parece difícil de acreditar mas quando entrares em tilt. Tilt é uma coisa boa, dá-te uma ideia maior da tua habilidade" diz-me Tendler. Quando entras em tilt , o que fazes na mesa é agora muito reactivo, instictivo. Entrar em tilt irá destacar o que realmente aprendeste e o que ainda precisa de trabalho. Obviamente, num mundo perfeito preferia nunca ter que entrar em tilt outra vez, mas quando as fichas estão em baixo, irão dar-me a ideia do meu progresso até agora. E possivelmente revelar algo sobre o meu jogo C, claro que não quero jogar nada mais que o meu jogo A, mas quando melhoras o teu pior, é uma pequena vitória também.

Apesar de o meus três sintomas mostrarem sinais de melhorarem e aceitar um pouco melhor as bad beats, ainda me sentia afectado e achava injusto por vezes quando as coisas corriam mal. Jared pediu-me para explicar como me sentia nas mesas e a minha resposta foi "injusto" e explorámos um pouco isso. Parece que a ideia de justiça vinha do facto de ser um jornalista de poker já há algum tempo. Tinha passado os últimos anos a fazer reportagens de pessoas que ganhavam grandes somas de dinheiro. Entrevistava e conversava com estas pessoas sobre o que é ganhar quantias de dinheiro capazes de mudar vidas, todas as semanas.

Expliquei que sempre quis ganhar um grande evento ao vivo. Sempre quis ser o tipo na fotografia com as cartas na mão sentado ao lado dum monte de dinheiro, e gostava de ser eu o intervistado para variar, quando seria a minha vez? E depois fiz o que achei um comentário sem significado, brincando disse " Acho que devo deixar de jogar SNG's e cash games e jogar realmente um evento ao vivo de vez em quando' – comentário no qual Jared pegou imediatamente.

Primeiro pensei, ' Meu deus, era a brincar, não significa nada, não vamos perder a sessão nisto'

Mas entretanto...

Jared ligou esta situação a outra em que repara por vezes em jornalismo de desporto. Grande parte dos jornalistas de desporto na verdade são péssimos no desporto que reportam, e não têm ideia do que realmente se passa num balneário, nem entre os fãs, e muito menos em campo. As pessoas que trabalham na indústria sabem que alguns jornalistas não fazem ideia do que estão a falar, e fazem com frequência apenas comentários muito generalizados.

Mas no poker é diferente, eu sou um jogador de poker primeiro que tudo e além de saber o que se passa na indústria sei também o que é jogar o jogo, estar nas mesas. Jared não sabe muito sobre poker mas sabe o suficiente para ter noção que ganhar apenas um torneio não te torna num bom jogador a menos que o faças regularmente.

Ser reconhecido como escritor e jogador de poker sempre foi importante para mim, isso sempre foi claro, mas descobrir que parte da minha frustração como jogador vinha do facto de eu não ganhar algo que eu não quero realmente ganhar isso, bem isso dá-te a volta à cabeça. Um pouco confuso mas levou a uma discussão sobre definição de objectivos e descobrir o que realmente quero do jogo. Ainda adoro torneios, e adorava que um dia fosse o meu dia de arrecadar grandes prémios, mas isto abriu realmente a minha perspeciva sobre o que quero verdadeiramente do jogo.

"Parece-te injusto agora?" Perguntou-me Jared

"Não, não tenho a certeza como me sinto agora, mas sinto me diferente" respondi.

Não perca a Parte 3

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